12 de jul de 2009


TOSTÃO

Dois professores em campo





O CAMPEONATO Brasileiro só vai esquentar para valer quando acabarem o prazo para transferência de jogadores e a Libertadores. Hoje, o Cruzeiro, pensando na quarta-feira, deve enfrentar o Atlético com a equipe reserva.
A CBF precisa completar as mudanças no calendário, que iniciou anos atrás. Entre tantas coisas, é necessário encurtar os estaduais e permitir que um clube dispute, em semestres diferentes, a Libertadores e a Copa do Brasil.
As mudanças só aconteceram porque estava um caos. Se a CBF não fizesse nada, Ricardo Teixeira perderia o cargo, mesmo com seus amigos políticos. Hoje, ocorre a mesma coisa no Senado. Foi preciso que a imprensa mostrasse as graves irregularidades para anunciarem mudanças administrativas. Muitas coisas boas que aconteceram no mundo foram dessa forma, por pressão.
O ser humano costuma ter condutas solidárias somente quando é vigiado, desmascarado e cobrado.
Grêmio e Corinthians fazem hoje um bom jogo. Ronaldo fez muito bem ao Corinthians, por suas virtudes técnicas, e o Corinthians, por ter um ótimo conjunto, fez muito bem a Ronaldo. Mano Menezes e a comissão técnica foram fundamentais em sua recuperação.
O principal motivo de o Corinthians ter um time bastante organizado não é o longo tempo de trabalho de Mano Menezes, e sim a qualidade de seu trabalho.
O tempo é relativo. O tempo serve também para os profissionais mostrarem suas deficiências.
O São Paulo enfrenta o Flamengo. Como aconteceu com Leão, Paulo Autuori e Muricy Ramalho, Ricardo Gomes disse que gosta de jogar com dois zagueiros e, hoje, já deve escalar três. Há uma dependência psicológica no clube por três zagueiros.
A moda agora é dizer que tal zagueiro, como André Dias, só é bom se jogar ao lado de mais dois. Um fala, e quase todos repetem. Vira um lugar-comum.
Os problemas do São Paulo são muito maiores que o número de zagueiros. Não gosto de um atacante estático, de costas para o gol, ainda mais dois, como Washington e Borges. Um atrapalha o outro.
Dagoberto entra e também não resolve. Ele continua atabalhoado. Corre demais, tromba, cai, tenta fazer tudo e faz pouco. Parece um buscapé.
Os melhores momentos do São Paulo com três zagueiros foram quando tinha melhores alas, como Cicinho e Souza, e dois volantes, Josué e Mineiro, que marcavam por pressão e empurravam a equipe para o ataque.
No Flamengo, Cuca, desde a época do Botafogo, coloca os defensores (zagueiros e volantes) para correr atrás dos atacantes. Fica muito confuso. Ótimos zagueiros são os que marcam por zona, estão sempre de frente para a bola e para o jogador que vai dar o passe, anteveem o lance e se antecipam ao atacante.
Assim como Ronaldo tem dado aulas para os atacantes brasileiros de como se colocar para receber a bola livre e na frente, sem entrar em impedimento, Juan, excelente zagueiro da seleção, que tem uma história afetiva com o Flamengo, poderia ensinar ao professor Cuca e aos defensores como um zagueiro deve se posicionar.
Juan passa anos sem sujar o calção. Craque joga em pé.

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