22 de abr. de 2010


Teu corpo principia - António Ramos Rosa



Dou-te um nome de água 
para que cresças no silêncio.
Invento a alegria 
da terra que habito 
porque nela moro.
Invento do meu nada 
esta pergunta. 
(Nesta hora, aqui.)
Descubro esse contrário 
que em si mesmo se abre: 
ou alegria ou morte.
Silêncio e sol - verdade, 
respiração apenas.
Amor, eu sei que vives 
num breve país.
Os olhos imagino 
e o beijo na cintura, 
ó tão delgada.
Se é milagre existires, 
teus pés nas minhas palmas.
O maravilha, existo 
no mundo dos teus olhos.
O vida perfumada 
cantando devagar.
Enleio-me na clara 
dança do teu andar.
Por uma água tão pura 
vale a pena viver.
Um teu joelho diz-me 
a indizível paz.

António Víctor Ramos Rosa (Faro, Portugal, 17 de outubro de 1924) - Além de poeta é ensaista. Estreou na poesia em 1958 participando da coletânea O Grito Claro, e desde então, não parou mais. Considerado um dos grandes escritores portugueses, recebeu diversos prêmios nacionais e estrangeiros ao longo de sua vida.

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