Teu corpo principia - António Ramos Rosa
Dou-te um nome de água
para que cresças no silêncio.
para que cresças no silêncio.
Invento a alegria
da terra que habito
porque nela moro.
da terra que habito
porque nela moro.
Invento do meu nada
esta pergunta.
(Nesta hora, aqui.)
esta pergunta.
(Nesta hora, aqui.)
Descubro esse contrário
que em si mesmo se abre:
ou alegria ou morte.
que em si mesmo se abre:
ou alegria ou morte.
Silêncio e sol - verdade,
respiração apenas.
respiração apenas.
Amor, eu sei que vives
num breve país.
num breve país.
Os olhos imagino
e o beijo na cintura,
ó tão delgada.
e o beijo na cintura,
ó tão delgada.
Se é milagre existires,
teus pés nas minhas palmas.
teus pés nas minhas palmas.
O maravilha, existo
no mundo dos teus olhos.
no mundo dos teus olhos.
O vida perfumada
cantando devagar.
cantando devagar.
Enleio-me na clara
dança do teu andar.
dança do teu andar.
Por uma água tão pura
vale a pena viver.
vale a pena viver.
Um teu joelho diz-me
a indizível paz.
a indizível paz.
António Víctor Ramos Rosa (Faro, Portugal, 17 de outubro de 1924) - Além de poeta é ensaista. Estreou na poesia em 1958 participando da coletânea O Grito Claro, e desde então, não parou mais. Considerado um dos grandes escritores portugueses, recebeu diversos prêmios nacionais e estrangeiros ao longo de sua vida.
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