Não preciso aproximar-me com dois passos
Não preciso aproximar-me com dois passos vacilantes
tenho ainda tempo de vos enviar um vislumbre
do fogo do meu rio
onde os animais se desalteram
onde as estrelas da noite ainda cintilam
e os frémitos dos pássaros agitam as cinzas e as pedras
tenho ainda tempo de vos enviar um vislumbre
do fogo do meu rio
onde os animais se desalteram
onde as estrelas da noite ainda cintilam
e os frémitos dos pássaros agitam as cinzas e as pedras
Este rio tem o suor do meu sangue
mas também a luz frágil das minhas feridas
que desce os declives verdes
e ascende pelo espaço
entrando na nebulosa do vento
e indefinidamente
como a respiração do mundo
dissemina nos bairros o seu fogo vivo
mas também a luz frágil das minhas feridas
que desce os declives verdes
e ascende pelo espaço
entrando na nebulosa do vento
e indefinidamente
como a respiração do mundo
dissemina nos bairros o seu fogo vivo
Esse vislumbre vem de um país ferido
desconhecido
vem do homem que vos escreve
porque não tem qualquer mensagem para vos dar
desconhecido
vem do homem que vos escreve
porque não tem qualquer mensagem para vos dar
O meu vislumbre
não é o sinal com um sentido
é um poema
que ninguém pode soletrar
como um abecedário
podem lê-lo claramente
à luz da sua claridade indefinível
As vossas portas hão-de ficar inteiras
mas este vislumbre será para vós inesquecível
não é o sinal com um sentido
é um poema
que ninguém pode soletrar
como um abecedário
podem lê-lo claramente
à luz da sua claridade indefinível
As vossas portas hão-de ficar inteiras
mas este vislumbre será para vós inesquecível
António Víctor Ramos Rosa (Faro, Portugal, 17 de outubro de 1924) - Além de poeta é ensaista. Estreou na poesia em 1958 participando da coletânea O Grito Claro, e desde então, não parou mais. Considerado um dos grandes escritores portugueses, recebeu diversos prêmios nacionais e estrangeiros ao longo de sua vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário