19 de abr. de 2010


The british holydaymakers



O caos aéreo provocado pela cinza vulcânica vinda da Islândia caiu como uma bomba nos planos de quem ainda pensava em curtir alguns dias de férias no período pós-Páscoa.
Nas proximidades do aeroporto de Heathrow, o mais movimentado da Europa, moradores estranharam a falta do barulho dos aviões e, por consequência, o repentino cantar dos pássaros.
No metrô, não se viam pessoas carregando malas, e tudo parecia muito esquisito. Afinal de contas, essa terra é de turistas...
A par deles, que estão em todos os lugares, é preciso dizer que os ingleses também adoram viajar. E todo mundo acha que essa época do ano é perfeita para o turismo. Meia-estação, tempinho bom, e nada da multidão dos dias quentes de julho e agosto.
Para que se tenha uma ideia, só nos últimos três meses quase 15 milhões de pessoas saíram dos aeroportos que cercam Londres. É muita gente!
Sempre que dá, os ingleses fogem para onde o sol esquenta de verdade. Portugal e Espanha são destinos populares por aqui, e eles gostam tanto desses países que muitas vezes saem deles com casa comprada e tudo.
Já faz algum tempo, mas me lembro de que fiquei impressionada com a quantidade de ingleses que vi no Algarve, sul de Portugal. Para ser bem sincera, mais parecia uma Inglaterra com sol e boa comida. Um sonho!
As férias perfeitas aqui na Europa saem caro, por isso a tendência é viajar no esquema House Exchanging, uma forma corajosa de turismo.
A idéia ficou mais conhecida depois do filme The Holiday (2006), estrelado por Cameron Diaz e Kate Winslet. Funciona de maneira muito simples: você fica na minha casa, e eu na sua.
Uma amiga inglesa me explicou que a rede funciona na base da confiança mesmo, e me garantiu que nunca teve problemas como roubo ou vandalismo com os “hóspedes”.
Segundo ela, a primeira coisa a fazer é escolher o destino das férias. Depois, registrar-se em um dos vários websites do ramo (ela é membro do www.homeexchange.com). A taxa para trocas ilimitadas de casas sai por menos de 10 dólares. A partir daí, é só escolher entre as casas já cadastradas e entrar em contato com o dono.
Ainda não sei se vou aderir ao modo alternativo de viajar de alguns British Holydaymakers. Mas confesso que estou bem tentada. Ainda mais depois de ver as fotos de uma casa na ilha grega de Santorini. De frente para o mar, e de graça! A contrapartida será, depois, abrir as portas da minha casa para um conterrâneo do Zorba, com a sugestão de que vá assistir a um jogo de futebol no Estádio do Arsenal, que posso ver da varanda...

Mariana Caminha é formada em Letras pela UnB e em jornalismo pelo UniCEUB. Fez mestrado em Televisão na Nottingham Trent University, Inglaterra. Casada, mora em Londres, de onde passa a escrever para o Blog do Noblat sempre às segundas-feiras. Publicou, em 2007, o livro Mari na Inglaterra - Como estudar na ilha...e se divertir.

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