25 de abr. de 2010

blog de alex periscinoto

Nunca fui padre, nem monge, nem pastor, nem nada que me desse uma vivência mais profunda com a espiritualidade. O que eu me lembro é, quando garoto, estar toda noite com meus irmãos ajoelhado ao lado da cama dizendo em voz alta o “pai nosso que estais no céu”, motivado muito mais pelo medo de levar um cascudo da minha mãe na porta do quarto pra ver se a gente não ia bancar o espertinho encurtando a reza, do que pelo temor de um castigo divino – imagine só se Deus ia encontrar a gente lá naquela naquela rua do Belezinho! era como eu pensava. Enfim, quero dizer que a minha noção de espiritualidade e as formas de se bater um papo com Deus, não fogem da média. Assim, não tenho autoridade alguma pra dar dicas, elogiar ou criticar formas que as pessoas encontram pra dar uma chegadinha rápida no céu sem tirar os pés da Terra.


Bigorna na cabeça.


Estou tocando no assunto motivado pelo ótimo anúncio aí de cima que mostra dois cigarros de maconha formando a mais genial logomarca de todos os tempos passados e futuros: o crucifixo. Um símbolo radicalmente tosco e simples que, com apenas dois risquinhos, conta a mais dramática história da espiritualidade humana – o cristianismo. E por que eles fizeram esse link entre a maconha e Jesus? Pra ver onde estava a inteligência do approach fui aprofundar informações a fim de entender a lógica entre o alucinógeno e as pirações, devaneios e fugas da realidade. Descobri que o Fernando Gabeira disse num livro que “os efeitos da erva- relaxamento, alteração do humor, redução da agressividade-- nos autorizam a afirmar que a maconha leva a um estado contemplativo. Independentemente da presença de espiritualidade, é uma experiência humana para muitos indispensável.” O Gabeira tocou no ponto nevrálgico: maconha como caminho pra espiritualidade. Fucei mais nesse detalhe e descobri que a coisa é antiga: não só o Hinduísmo usava a maconha, mas também os sacerdotes das principais religiões antigas ocidentais davam suas pitadas imaginando que, com isso, seus espíritos ficavam mais leves pra conseguir instantes mágicos onde poderiam encontrar o anjo Gabriel pra bater um papo. (Um parêntese rápido: se a ideia era falar com Deus não seria melhor ir direto no assunto e deixar cair uma bigorna na cabeça?). Retomo o raciocínio perguntando: como o cérebro cria a fantasia da falsa elevação espiritual? O tema é polêmico. Vou grudar no que diz o Dr. Drauzio Varella: “a maconha de hoje tem altas concentrações de THC, o componente psicoativo da maconha”. Que, deduzo, seja essa potencialização que liga a função “entretenimento” do cérebro. E, com isso, dizem, faz o cara se sentir espiritualizado a tal ponto que chega a ver tudo azul como se estivesse dentro do filme Avatar. E que fica tão alegre que dá imensas gargalhadas de tudo, até assistindo os programas humorísticos da nossa tv. Isso que é viagem braba.

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